FIM DA INFÂNCIA DIGITAL? Reino Unido quer banir redes sociais para menores de 16 anos


TECNOLOGIA - O cenário digital global está prestes a sofrer uma mudança tectônica. Em uma iniciativa ousada que promete redefinir a relação entre tecnologia e juventude, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou que o Reino Unido irá proibir o acesso de menores de 16 anos às principais redes sociais. O projeto, que deve tramitar no Parlamento com previsão de entrada em vigor em 2027, coloca na mira gigantes como TikTok, Instagram, Facebook, Snapchat, X e YouTube.

A medida não é isolada; ela segue o exemplo da Austrália, que implementou restrições severas no final de 2025, e ganha o apoio público de líderes como Emmanuel Macron, na França. O argumento central é a segurança: uma consulta pública em Londres revelou que mais de 90% dos pais acreditam que os riscos das plataformas superam qualquer benefício, sinalizando uma exaustão coletiva diante dos impactos na saúde mental e no comportamento dos jovens.

Para viabilizar o bloqueio, o governo britânico planeja implementar um sistema rigoroso de verificação de identidade. Em contrapartida, associações de tecnologia alertam para um efeito rebote: barreiras generalizadas poderiam empurrar os jovens para camadas mais obscuras e não regulamentadas da rede. Starmer, contudo, mantém a firmeza, comparando a proibição ao controle de acesso a bebidas alcoólicas.

O drama dessa transição foi sintetizado em uma resposta que viralizou: ao ser questionada sobre o que faria com as mais de 9 horas diárias que gasta nas telas caso o acesso fosse bloqueado, uma estudante britânica respondeu, com melancolia: "Ficar olhando para a parede".

E se fosse no Brasil? Você estaria de acordo?

Trazer essa discussão para a realidade brasileira é um exercício necessário e complexo. O Brasil é um dos países onde os jovens passam mais tempo conectados no mundo.

Enquanto países de primeiro mundo discutem sistemas de "checagem de identidade", o Brasil enfrenta desafios de inclusão digital e alfabetização midiática. Implementar uma barreira rígida aqui esbarraria em problemas práticos, como a exclusão de jovens que utilizam redes sociais para fins educativos e de networking profissional.

A resposta da estudante sobre "olhar para a parede" é um sintoma alarmante. O banimento, por si só, é uma medida punitiva que não resolve o vácuo de entretenimento e socialização que as Big Techs preencheram. Sem políticas públicas de fomento a esportes, cultura e lazer presencial, o banimento pode apenas gerar jovens frustrados e isolados.

Banir menores de 16 anos seria o equivalente a impedir que adolescentes entrassem em bibliotecas ou fóruns de discussão. A regulação das empresas (algoritmos viciantes e proteção de dados) parece uma via mais inteligente e menos autoritária do que o banimento total.

Nós estamos de acordo? Apenas se a medida viesse acompanhada de uma reforma estrutural no tempo livre dos jovens brasileiros. Se o Estado brasileiro apenas "cortar" o acesso sem oferecer alternativas reais, estaremos apenas trocando o vício digital por um vazio existencial ou por atividades ainda menos supervisionadas.

O caminho ideal parece ser o controle sobre o design das plataformas (o fim do scroll infinito e algoritmos de recomendação agressivos para menores) em vez da segregação etária total. A proibição é o remédio amargo; talvez precisemos de uma dieta mais saudável, e não de um jejum forçado.

E você, leitor: acha que o Brasil deveria seguir o exemplo britânico e banir as redes sociais para menores de 16 anos, ou essa medida seria um retrocesso na liberdade dos jovens?