OPERAÇÃO "BURACO SEM FIM": Diretor da Agesul é exonerado após prisão por suspeita de corrupção


CAMPO GRANDE (MS) - O engenheiro Rudi Fiorese foi destituído do cargo de diretor-presidente da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) nesta terça-feira (12). A exoneração ocorreu poucas horas após sua detenção pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), no âmbito de uma investigação que apura desvios de verbas destinadas à manutenção asfáltica em Campo Grande.

Em nota, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog) esclareceu que as irregularidades investigadas se restringem ao período em que Fiorese esteve à frente da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), entre os anos de 2017 e 2023. A pasta enfatizou que não há indícios de envolvimento em contratos da atual gestão estadual, mas que optou pelo desligamento imediato para colaborar com a transparência do processo.

Esquema de medições fraudulentas

A ofensiva, batizada de “Buraco Sem Fim”, foi executada pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). Durante a operação, as autoridades cumpriram sete mandados de prisão preventiva e dez de busca e apreensão. Em endereços ligados aos suspeitos, foram confiscados aproximadamente R$ 429 mil em dinheiro vivo.

De acordo com o MPMS, a organização criminosa atuava manipulando medições de serviços de "tapa-buracos" para autorizar pagamentos por trabalhos que, na prática, nunca foram realizados. O foco das investigações é uma empresa que, entre 2018 e 2025, firmou contratos e aditivos com o município que somam R$ 113,7 milhões.

Outros envolvidos

Além do ex-chefe da Agesul, a operação resultou na prisão de outros dois engenheiros: Mehdi Talayeh, que ocupava cargo de chefia na Sisep, e Edivaldo Pereira Aquino, apontado pelos investigadores como o coordenador dos serviços de manutenção viária sob suspeita.